Está disponível para visitação a Exposição: “Vidas do Barro” – Sertão Feito a Mão – do Barro a Arte Popular do Sertão. A exposição tem a produção do Instituto Assum Preto, de Arte, Cultura, Cidadania e Meio Ambiente, com Curadoria do Produtor Cultural Adriano Souza. A arte do barro é uma atividade milenar. Aqui no Ceará é uma prática muito representativa para a cultura popular, chega a representar quase 20% de toda produção artesanal em barro do Nordeste. O artesanato de barro é uma produção espontânea que parte da sensibilidade e do saber popular de cada artesão, trazendo traços marcantes da sua cultura. O Sertanejo é astucioso e tem uma imaginação fértil para criar. Usa o barro para fazer algo que lhe proporcione prazer, beleza e arte, fazendo do artesanato uma fonte de renda para sua subsistência. Em Senador Pompeu são diversas as manifestações da cultura popular que permanecem vivas resistindo ao tempo. A cerâmica é uma dessas atividades, que também é uma atividade praticamente de todas as culturas, desde os tempos imemoriais, que se mantém, na contemporaneidade, pela dolicilidade e resistência do material e pela capacidade que o ser humano tem de modelar, criar e transformar o barro nestes tempos de valorização do natural. Deus criou o ser humano a partir do barro. Depois, injetou-lhe o sopro da vida. A explicação bíblica para a origem humana rende discussões de ordem científica e teológica. No Ceará, esse mesmo barro tem papel incontestável: é ele quem dá vida a famílias inteiras, tendo à frente mulheres de uma força extraordinária, muito além dos músculos. Por meio da terra, elas produzem peças de cerâmica, seja para uso doméstico ou decorativo. Tudo feito com o contorno das próprias mãos, habilidade e singela beleza. Numa tradução mais real, o ofício significa a pura sobrevivência. Em todas as regiões do Estado, mulheres de diferentes condições sociais e faixas etárias têm, em comum, o talento de transformar a terra nesse artesanato de origem indígena. Até crianças ensaiam os primeiros moldes nessa arte.
A Exposição tem apoio da Prefeitura Municipal de Senador Pompeu e da Secretaria de Estado da Cultura através do Edital de Incentivo as Artes 2009. O trabalho com o barro no território cearense é tão forte que proporcionou o maior número de Mestras da Cultura Tradicional do Estado na área de artesanato, e é com inspiração nessas Mestras que a exposição Vidas do Barro destaca a Arte de Dona Branca, “nunca o barro se fez tão plástico, e as mãos foram tão ágeis como nesta louceira da Alegria no Ipu”. De Juazeiro a Família Cândido, Dona Maria de Lourdes, “suas obras soam como vitrines onde estão modelados nossos sonhos, anseios, medos e paixões”. De Limoeiro do Norte a Mestra da Cultura que já virou tema de documentário, a família “pequeno” representada por Lúcia faz brinquedos, mesinhas com suas cadeiras, fogão com suas panelinhas. Belas, “finas” e elegantes são as obras que brotam das mãos das artistas dessa simples família do Córrego de Areia no Limoeiro do Norte. Da Cidade de Viçosa a louceira da comunidade do Tope e Mestra da Cultura Dona Fransquinha, mantém viva uma cerâmica que é uma das melhores do Ceará, seus instrumentos de trabalho, sabugo de milho e caco de coité formam as belas peças decorativas que são vendidas em Fortaleza e todo o Brasil. De Senador Pompeu a arte de Dona Margarida, ela desenvolve louças com relevos florais de delicadeza ímpar. Uma prova que, nesta terra, "em se plantando tudo dá", com boas colheitas de criatividade, exemplos de persistência e amor pelo trabalho.

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