quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Campo de Concentração da Seca de 1932 é destaque em Oficina de Arte em Couro


 Instituto Assum Preto de Arte, Cultura, Cidadania e Meio Ambiente

Os Campos de Concentração da Seca de 1932 , foi a inspiração do curso Arte em Couro que aconteceu na Biblioteca Pública Maria Altamir Borges de Macedo do Município de Senador Pompeu neste fim do mês de novembro.O curso teve a realização da Secretaria Municipal da Cultura em parceria com o Instituto Assum Preto de Arte, Cultura, Cidadania e Meio Ambiente, e SEBRAE. A “Arte do Couro” surge com o tipo de sociedade que a pecuária produziu especialmente no Ceará, o que Capistrano de Abreu chamou de “Civilização de Couro”, pois tudo girava em torno do gado e dos seus derivados. Tudo era feito em couro, desde os instrumentos de trabalho, até os apetrechos domésticos e os objetos pessoais. Eis a matéria-prima em que o artesanato cearense ganha dimensões extraordinárias. Separar a história do couro no Nordeste da do sertanejo e vaqueiro, seria o mesmo de querer se escrever a biografia do Sertão sem citar a caatinga, a aridez de seu chão, seus poetas, o rio São Francisco, Luís Gonzaga, Lampião e nosso Cangaço.
No Nosso sertão semi-árido, o couro teve, tem, e sempre terá papel fundamental no desenvolvimento e difusão da cultura. A história não nos deixa mentir. Homem e mulher desse sertão, vivem em ambiente inóspito, necessitando desse artigo natural como matéria prima para promoção de sua sobrevivência, face à peculiar categoria do solo, vegetação e clima, que lhe rodeia. É nessa região muito especial, de aspecto singular que o vaqueiro nordestino desenha e borda em suas vestimentas e utensílios domésticos e de trabalho, os versos de suas secas vidas, com suas tonalidades alegres, para que as futuras gerações não esqueçam dessa “pele”, onde transpira suas aspirações e receios, e pulsa os sinais da resistência às injustiças sociais de que ainda é vítima, mesmo em pleno século XXI.
A realização desta oficina teve entre seus objetivos estimular o desenvolvimento de ações que promovam à auto-sustentação do ser humano no semi-árido, promovendo a preservação da cultura do couro, e da memória das vitimas da política de campos de concentração na seca de 1932 no estado do Ceará. A proposta é revelar não apenas o artesanato em couro como um produto de uso, mas como uma forma de arte que encerra um sistema complexo, uma rede de saberes, indo além da sua função utilitária ou decorativa, representando uma das formas de materialização da memória e de tradições mantidas por artesãos. A oficina foi desenvolvida pela Design “Cris” do Empratec, Fortaleza-CE, e contou com a participação de aproximadamente 20 artistas e artesãos da sede e comunidades rurais do Município de Senador Pompeu. Na oficina foram desenvolvidas peças diversas, bolsas, carteiras, porta caneta, “porta-treco”, porta celular, entre outros, mostrando que o design contemporâneo pode (e deve) ser tributário da tradição. Nós que colaboramos para realização da oficina acreditamos ser fundamental essa vivência cultural entre a arte do couro e a valorização da identidade cultural do local, tendo em vista que estamos diante de uma arte que precisa ser repassada como legado vivo, e de uma história que deve ser resguardada. É o novo ciclo do couro, em versão pós-moderna, re-criado em versão sertaneja, para aqueles que tiverem a sensibilidade de compreender que a tradição e a contemporaneidade são as duas faces de uma mesma moeda. Os produtos dessa oficina estarão disponíveis para apreciação e comercialização em feiras de artesanato no município no inicio do mês de dezembro. Os artistas que participaram da oficina terão garantido seu cadastro no Sistema de Informações Culturais (SINF) da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará. Nossos agradecimentos a Prefeitura Municipal de Senador Pompeu, através da sua Secretaria da Cultura, ao SEBRAE, ao Instituto Assum Preto, a Design do Couro, Cris, ao Mestre Joaquim (Seu Quinco) do Codiá e a todos os artistas que participaram da Oficina. 





















sexta-feira, 15 de outubro de 2010

"Vidas do Barro"


Está disponível para visitação a Exposição: “Vidas do Barro” – Sertão Feito a Mão – do Barro a Arte Popular do Sertão. A exposição tem a produção do Instituto Assum Preto, de Arte, Cultura, Cidadania e Meio Ambiente, com Curadoria do Produtor Cultural Adriano Souza. A arte do barro é uma atividade milenar. Aqui no Ceará é uma prática muito representativa para a cultura popular, chega a representar quase 20% de toda produção artesanal em barro do Nordeste. O artesanato de barro é uma produção espontânea que parte da sensibilidade e do saber popular de cada artesão, trazendo traços marcantes da sua cultura. O Sertanejo é astucioso e tem uma imaginação fértil para criar. Usa o barro para fazer algo que lhe proporcione prazer, beleza e arte, fazendo do artesanato uma fonte de renda para sua subsistência. Em Senador Pompeu são diversas as manifestações da cultura popular que permanecem vivas resistindo ao tempo. A cerâmica é uma dessas atividades, que também é uma atividade praticamente de todas as culturas, desde os tempos imemoriais, que se mantém, na contemporaneidade, pela dolicilidade e resistência do material e pela capacidade que o ser humano tem de modelar, criar e transformar o barro nestes tempos de valorização do natural. Deus criou o ser humano a partir do barro. Depois, injetou-lhe o sopro da vida. A explicação bíblica para a origem humana rende discussões de ordem científica e teológica. No Ceará, esse mesmo barro tem papel incontestável: é ele quem dá vida a famílias inteiras, tendo à frente mulheres de uma força extraordinária, muito além dos músculos. Por meio da terra, elas produzem peças de cerâmica, seja para uso doméstico ou decorativo. Tudo feito com o contorno das próprias mãos, habilidade e singela beleza. Numa tradução mais real, o ofício significa a pura sobrevivência. Em todas as regiões do Estado, mulheres de diferentes condições sociais e faixas etárias têm, em comum, o talento de transformar a terra nesse artesanato de origem indígena. Até crianças ensaiam os primeiros moldes nessa arte.
A Exposição tem apoio da Prefeitura Municipal de Senador Pompeu e da Secretaria de Estado da Cultura através do Edital de Incentivo as Artes 2009. O trabalho com o barro no território cearense é tão forte que proporcionou o maior número de Mestras da Cultura Tradicional do Estado na área de artesanato, e é com inspiração nessas Mestras que a exposição Vidas do Barro destaca a Arte de Dona Branca, “nunca o barro se fez tão plástico, e as mãos foram tão ágeis como nesta louceira da Alegria no Ipu”. De Juazeiro a Família Cândido, Dona Maria de Lourdes, “suas obras soam como vitrines onde estão modelados nossos sonhos, anseios, medos e paixões”. De Limoeiro do Norte a Mestra da Cultura que já virou tema de documentário, a família “pequeno” representada por Lúcia faz brinquedos, mesinhas com suas cadeiras, fogão com suas panelinhas. Belas, “finas” e elegantes são as obras que brotam das mãos das artistas dessa simples família do Córrego de Areia no Limoeiro do Norte. Da Cidade de Viçosa a louceira da comunidade do Tope e Mestra da Cultura Dona Fransquinha, mantém viva uma cerâmica que é uma das melhores do Ceará, seus instrumentos de trabalho, sabugo de milho e caco de coité formam as belas peças decorativas que são vendidas em Fortaleza e todo o Brasil. De Senador Pompeu a arte de Dona Margarida, ela desenvolve louças com relevos florais de delicadeza ímpar. Uma prova que, nesta terra, "em se plantando tudo dá", com boas colheitas de criatividade, exemplos de persistência e amor pelo trabalho.
A exposição está montada no Centro de Feiras e Eventos de Senador Pompeu e aberta a visitação.