Instituto Assum Preto de Arte, Cultura, Cidadania e Meio Ambiente
Os Campos de Concentração da Seca de 1932 , foi a inspiração do curso Arte em Couro que aconteceu na Biblioteca Pública Maria Altamir Borges de Macedo do Município de Senador Pompeu neste fim do mês de novembro.O curso teve a realização da Secretaria Municipal da Cultura em parceria com o Instituto Assum Preto de Arte, Cultura, Cidadania e Meio Ambiente, e SEBRAE. A “Arte do Couro” surge com o tipo de sociedade que a pecuária produziu especialmente no Ceará, o que Capistrano de Abreu chamou de “Civilização de Couro”, pois tudo girava em torno do gado e dos seus derivados. Tudo era feito em couro, desde os instrumentos de trabalho, até os apetrechos domésticos e os objetos pessoais. Eis a matéria-prima em que o artesanato cearense ganha dimensões extraordinárias. Separar a história do couro no Nordeste da do sertanejo e vaqueiro, seria o mesmo de querer se escrever a biografia do Sertão sem citar a caatinga, a aridez de seu chão, seus poetas, o rio São Francisco, Luís Gonzaga, Lampião e nosso Cangaço.
No Nosso sertão semi-árido, o couro teve, tem, e sempre terá papel fundamental no desenvolvimento e difusão da cultura. A história não nos deixa mentir. Homem e mulher desse sertão, vivem em ambiente inóspito, necessitando desse artigo natural como matéria prima para promoção de sua sobrevivência, face à peculiar categoria do solo, vegetação e clima, que lhe rodeia. É nessa região muito especial, de aspecto singular que o vaqueiro nordestino desenha e borda em suas vestimentas e utensílios domésticos e de trabalho, os versos de suas secas vidas, com suas tonalidades alegres, para que as futuras gerações não esqueçam dessa “pele”, onde transpira suas aspirações e receios, e pulsa os sinais da resistência às injustiças sociais de que ainda é vítima, mesmo em pleno século XXI.
A realização desta oficina teve entre seus objetivos estimular o desenvolvimento de ações que promovam à auto-sustentação do ser humano no semi-árido, promovendo a preservação da cultura do couro, e da memória das vitimas da política de campos de concentração na seca de 1932 no estado do Ceará. A proposta é revelar não apenas o artesanato em couro como um produto de uso, mas como uma forma de arte que encerra um sistema complexo, uma rede de saberes, indo além da sua função utilitária ou decorativa, representando uma das formas de materialização da memória e de tradições mantidas por artesãos. A oficina foi desenvolvida pela Design “Cris” do Empratec, Fortaleza-CE, e contou com a participação de aproximadamente 20 artistas e artesãos da sede e comunidades rurais do Município de Senador Pompeu. Na oficina foram desenvolvidas peças diversas, bolsas, carteiras, porta caneta, “porta-treco”, porta celular, entre outros, mostrando que o design contemporâneo pode (e deve) ser tributário da tradição. Nós que colaboramos para realização da oficina acreditamos ser fundamental essa vivência cultural entre a arte do couro e a valorização da identidade cultural do local, tendo em vista que estamos diante de uma arte que precisa ser repassada como legado vivo, e de uma história que deve ser resguardada. É o novo ciclo do couro, em versão pós-moderna, re-criado em versão sertaneja, para aqueles que tiverem a sensibilidade de compreender que a tradição e a contemporaneidade são as duas faces de uma mesma moeda. Os produtos dessa oficina estarão disponíveis para apreciação e comercialização em feiras de artesanato no município no inicio do mês de dezembro. Os artistas que participaram da oficina terão garantido seu cadastro no Sistema de Informações Culturais (SINF) da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará. Nossos agradecimentos a Prefeitura Municipal de Senador Pompeu, através da sua Secretaria da Cultura, ao SEBRAE, ao Instituto Assum Preto, a Design do Couro, Cris, ao Mestre Joaquim (Seu Quinco) do Codiá e a todos os artistas que participaram da Oficina.
